6 Questões
sobre psicoterapia e o psicólogo
No artigo desta semana, achei por bem responder a algumas questões que lhe possa surgir quando pensa em recorrer a um psicólogo e à psicoterapia.
No entanto, quero que fique já com a ideia de que não existem soluções mágicas ou à velocidade da luz.
A psicoterapia não é um processo de rapidez, mas sim de progresso que exige esforço e empenho da pessoa.
A finalidade da psicoterapia é enriquecer a pessoa com estratégias adaptativas para a capacitar a enfrentar as dificuldades diárias e oferecer-lhe novas perspetivas de vida, ajudando-a a ter uma visão diferente dos acontecimentos, permitindo assim o alívio das dores emocionais.
1) Como funciona a psicoterapia?
A psicoterapia ou processo de acompanhamento psicológico é um procedimento de intervenção em que o psicólogo estimulará na pessoa o desenvolvimento de estratégias pessoais para solucionar as problemáticas que lhe causam mal-estar.
Este procedimento pode realizar-se individualmente ou em grupo e por casais ou famílias que queiram harmonizar as suas relações.
O acompanhamento assentará no desenvolvimento do autoconhecimento e autorreflexão, onde o objetivo do psicólogo não é dizer o que fazer, mas sim ajudar a encontrar respostas para que a pessoa reflita sobre as diversas possibilidades e tome a melhor decisão.
Numa fase inicial, o psicólogo avaliará a problemática para depois a compreender acedendo à realidade da pessoa. Podendo, ou não, recorrer a instrumentos de avaliação psicológica como testes ou questionários.
Posteriormente, será estabelecido um plano de intervenção juntamente com a pessoa e, neste momento, iniciar-se-á então a intervenção propriamente dita.
Dado tratar-se de um processo dinâmico, este irá sendo ajustado ao longo do tempo.
2) A psicoterapia é eficaz?
Como já vimos, dado a psicologia tratar-se de uma ciência, a prática psicológica tem validação científica.
Não obstante, é necessário compreender que a psicoterapia assenta na relação terapêutica e que depende de vários fatores como, por exemplo, a motivação e envolvimento da pessoa, a afinidade e relação desenvolvida entre o psicólogo e a pessoa, o acompanhamento da pessoa noutras áreas necessárias, entre outros fatores.
Assim, é natural que a psicoterapia tenha uma eficácia variável dependendo de caso para caso. Cada acompanhamento é personalizado tendo em conta as problemáticas que cada pessoa traz e a sua história de vida e os seus objetivos com o recurso à terapia.
O derradeiro objetivo é capacitar a pessoa para que ganhe independência necessária para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia com mais competências e estratégias adaptativas e não apenas extinguir os sintomas.
3) Qual a duração da psicoterapia?
Também aqui, a duração é variável.
Esta depende de vários fatores como, por exemplo, o tipo de problemática apresentada, as características e historial da pessoa, os objetivos que pretende alcançar e a velocidade com que progredi na terapia.
Algumas pessoas sentem-se imediatamente melhor após a primeira sessão, outras necessitam de várias sessões para perceber efetivas melhoras. Depende também de quanto tempo a pessoa passou sozinha a tentar lidar com o problema.
O importante é não desanimar pois, os resultados duradouros vêm a longo e não a curto prazo.
4) Como saber quando finalizar o processo terapêutico?
Dependendo dos objetivos traçados e dos objetivos já alcançados, o psicólogo e a pessoa vão juntos decidir a melhor altura para finalizar o acompanhamento.
O objetivo é finalizar o processo quando a pessoa já se sentir capaz de lidar com as dificuldades de forma saudável, sem sofrimento extremo, quando tiver consolidado ou desenvolvido novas competências que o permitam ser também o seu melhor terapeuta.
5) O que acontece após o final da psicoterapia?
Por norma, o psicólogo aconselhará a pessoa a agendar uma ou outra consulta de follow up de tempos em tempos para verificar o estado da pessoa. Verificar se as competências que a pessoa desenvolveu e o enriqueceram durante o acompanhamento têm sido mantidas em prática.
6) O psicólogo está obrigado a manter segredo?
Os psicólogos são profissionais regidos por um código de ética e, como tal, têm de obedecer ao princípio de confidencialidade.
O sigilo, na relação terapêutica, é essencial e de máxima importância para os psicólogos.
No entanto, logo na primeira sessão, o psicólogo deve informar que esta mesma confidencialidade poderá ser quebrada em certos casos como a) situações de perigo de vida, quer para a pessoa, quer para terceiros, b) perigo de dano significativo, c) violência ou maus-tratos a menores ou adultos particularmente indefesos e d) situações de processo legal onde a pessoa esteja envolvida.
Não pense que a psicoterapia tem um início, meio e fim definidos.
Não se sinta fraco por (voltar) a procurar ajuda.
