Compreender:
a LGBTI+
Numa semana onde se celebra o Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia, 17 de Maio, decidi partilhar consigo um artigo mais informativo sobre esta temática da LGBTI+.
Penso que, muitas vezes, a não “aceitação” e a falta de respeito para com as pessoas desta “comunidade” se deve à falta de informação e, consequentemente, ao medo do desconhecido (característica primária dos humanos que contribui para a sobrevivência).
Vamos então esclarecer alguns pontos!
Nota: a sigla LGBTI+ sofreu alterações passando a ser LGBTQIA+ pode encontrar aqui mais informações sobre esta alteração.
Existem 5 conceitos chave que precisamos compreender para melhor entender esta temática.
Sexo Biológico
Determinado à nascença pelos órgãos genitais podem ser masculino, intersexo ou feminino.
Género
Construto criado pela sociedade onde determinados papéis e responsabilidades são atribuídos à mulher ou ao homem. Criou-se assim o género masculino e o género feminino cada um com o seu modelo padrão que homens e mulheres “devem” seguir.
Identidade de Género
Como nos percecionamos, com que género nos identificamos (masculino ou feminino) que pode ser ou não igual ao sexo com o qual nascemos. Existem pessoas que não se identificam com nenhum dos géneros binários e consideram-se agénero ou género não-binário.
Expressão de Género
Como nós exibimos o nosso género através, por exemplo, da forma de vestir ou de se comportar. Isto é sempre relativo à construção de género da sociedade onde a pessoa está inserida.
Orientação Sexual
Tipos de pessoas (com referência ao género) pelas quais nos sentimos atraídos emocional, física, espiritual ou sexualmente. Existem pessoas que não sentem qualquer tipo de atração (ou pouca) e consideram-se assexuais.
Significado de LGBTI+
Transpondo os conceitos anteriores para a sigla LGBTI+ podemos concluir que:
- LGB – Lésbicas, Gays e Bissexuais – diz respeito à orientação sexual da pessoa, por quem é que a pessoa se sente atraída.
- Lésbica – mulher sente atração por mulher;
- Gay – homem sente atração por homem;
- Bissexual – homem ou mulher sente atração quer por homens, quer por mulheres.
- T – Transexuais ou Transgénero – diz respeito à identidade de género, ou seja, identidade de género da pessoa não corresponde ao seu sexo biológico. Existem pessoas que desejam (ou não) modificar a aparência ou o corpo recorrendo a métodos cirúrgicos, farmacológicos e afins.
- I – Intersexo – corresponde ao sexo biológico e diz respeito àquelas pessoas que nascem com ambas os sexos.
- O “+” da sigla é referente a toda a panóplia de diversidade de orientação sexual e de identidade e expressão de género que possam existir.
BReve viagem pela história
Desengane-se quem achar que a homossexualidade ou transexualidade é coisa dos dias modernos.
Há muito que estão presentes na humanidade, muito antes dos seus próprios conceitos e definições!
Se observarmos com atenção obras de arte (pinturas, gravuras, esculturas e afins) da antiguidade e até histórias destes tempos, iremos certamente observar representações de homossexualidade e transexualidade.
Vou deixar-lhe de seguida alguns exemplos:
Homossexualidade na história
Lá bem na antiguidade, não existia uma particular distinção entre afeto e prática sexual, nem entre relação hétero ou homossexuais.
– Na Grécia Antiga, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo tinha uma função pedagógica.
Pelo bem da educação, era permitido (e esperado) que os jovens criassem relações de amizade e amor com os tutores mais velhos por forma a receber as suas virtudes e conhecimentos – a pederastia.
– O filósofo Sócrates era homossexual, pregando que o amor homossexual era uma (melhor) fonte de inspiração ao passo que o amor heterossexual só tinha a simples função de procriação.
– O famoso Leonardo daVinci também era homossexual, tendo retratado um dos seus namorados em várias obras.
Transexualidade na história
– A doença dos citas relatada por Heródoto é um exemplo de transexualidade.
A história é, mais ou menos assim: Os homens quando não se conseguiam relacionar sexualmente com mulheres após várias tentativas, acreditavam cometer algum pecad0 contra o divino e, como punição, passavam a vestir-se como mulheres assumindo assim a sua “impotência”. Aos poucos, passariam a ter voz de mulher e a realizar as mesmas tarefas destas.
– Imperador romano Héliogábalo (séc. III): não se identificava como homem, chegando a preferir ser tratado como dama. Há relatos de que procurou cirurgias para a mudança de sexo, acabando por ser interpretado como uma das primeiras figuras transexuais da história.
– Já em França, na época do Rei Luís XV existiu um célebre espadachim, Chevalier D’Eon (ou Madame Beaumont), pertencente aos serviços secretos francês e funcionário do rei, que era na realidade um mulher! Apesar de ter nascido como mulher, viva como um homem.
– Também na Dinamarca, no séc. XIX e XX, Einar Wegener era um pintor de sucesso, mas não se identificava com o seu sexo biológico. Foi a “primeira” pessoa a realizar uma cirurgia de redesignação sexual adotando a identidade de Lili Elbe.
A sua vida deu origem ao tão conhecido filme “A Garota Dinamarquesa”.
Impacto da Discriminação
Infelizmente, no mundo moderno, a homossexualidade e transexualidade já não são mais tidas como “normais” e existe uma enorme discriminação e violência de género para com a “comunidade” LGBTI+.
Esta discriminação e violência de género vai desde “piadas” ou comentários homo e/ou transfóbicos a atos de violência física!
O impacto destes atos, por muitos considerados inofensivos ou até apropriados (vá se lá saber como), pode ser de cariz físico, psicológico e social.
Quanto às consequências físicas como é óbvio, falamos em lesões e danos corporais resultantes de agressões, mas podemos também falar em somatizações e doenças crónicas (devido à ansiedade e stress, por exemplo).
Nas consequências psicológicas como é espectável baixa autoestima e autoconfiança, ideação suicida, desenvolvimento de patologias como depressão ou ansiedade social ou generalizada, abuso de substâncias, entre outras.
Para acrescentar à lista, temos ainda consequências sociais como a rejeição, evitamento, isolamento, perda de interesse ou baixo rendimento escolar ou laboral e comportamentos de risco.
Para Refletir…
Não podia por isso deixar de recordar o caso de Gisberta, o transexual violentamente agredido durante dias até ser finalmente morto porque um grupo de jovens (estúpidos) entre os 12 e 16 anos.
Este caso demonstra, sem dúvida, o extremismo desta discriminação contra a comunidade LGBTI+ e não existe assim como pôr em causa o impacto que a discriminação e violência de género têm não só neste “comunidade”, como também na sociedade.
Acontecimentos como este, deixam marcas profundas no nosso conceito de sociedade, fazendo-nos questionar o tipo de sociedade no qual vivemos.
Deixo-o com a seguinte reflexão:
Como é que algo que era normal há milhares de anos atrás, hoje já não é? Como é que um mundo considerado tão moderno consegue ter uma mentalidade tão retrógrada e opressiva?
É neste tipo de sociedade que queremos realmente viver? Onde aquilo que não é considerado “normal” pela sociedade, é alvo de violência…
Aceitar é uma escolha sua, mas respeitar é um dever de todos!
