Violência de Género:

Contra mulheres

Uma vez que estamos a terminar o mês do Dia da Mulher, não podia deixar de fazer um artigo dedicado ao tema da violência de género contra mulheres.

A violência de género é caracterizada por qualquer tipo de agressão física ou verbal, psicológica, sexual ou simbólica direcionada a outrem com base no seu género masculino ou feminino.

Assim, como lhe parecerá óbvio, os homens também são vítimas, mas a incidência é, assustadoramente, mais predominante em mulheres.

Mas afinal o que é isto do género? Porque é que as mulheres são as vítimas predominantes? E que exemplos concretos deste tipo de violência é que temos?

O que é o género

O género não é nada mais, nada menos do que um construto social sobre os papéis e responsabilidades de homens e mulheres. É um conjunto de atributos (papéis sociais, valores, normas e modelos) específicos da masculinidade e feminilidade.

Deste modo, o género de uma pessoa não é estabelecido pelo seu sexo. Isto é, o género não tem uma determinação biológica, pois construi-se com a influência da cultura e sociedade.

Podemos assim dizer que o conceito de género é fruto de uma ideologia sexista onde, desde muito cedo, é incutida na sociedade a ideia de que o homem é superior sendo-lhe delegada e legitimada a ordem patriarcal tendo o direito de dominar e controlar a mulher.

Também esta ideia não passa de um construto social, mas dado os comportamentos de dominância serem praticados maioritariamente por homens, a sua “superioridade” acaba por ser tomada como uma verdade absoluta.

Mulheres: as vítimas predominantes

Posto isto, é claro que a mulher vive condicionada pelo seu género. A sociedade impõe sujeições as mulheres com base nos papéis de género que determinam a sua forma de ser e estar como mulher.

“A mulher deve ser pura, sensível, boa dona de casa e amorosa para o seu esposo e filhos” – esta frase serve como perfeito exemplo de um dos papéis de género mais associados às mulheres.

Claramente, a violência de género contra mulheres é um atentado à igualdade e liberdade da mulher, pois decorre das relações de poder (desiguais) fortemente disseminadas na sociedade. Consequentemente, gera-se uma grave discriminação contra o género feminino onde as mulheres veem os seus direitos e liberdades violados e a sua integridade (física, psicológica, sexual e económica) atentada!

A violência de género é por isso uma área de estudo e intervenção importante na psicologia. Se compreendermos as suas causas, aquilo que lhe está base, podemos consciencializar as pessoas e combater este problema.

Violência Doméstica e
Assédio sexual

Existem diferentes formas de violência de género contra mulheres e todas elas passam por alguma das seguintes: violência física, verbal, psicológica, social, sexual e económica.

Entre os vários exemplos que poderia dar ao leitor, escolhi focar-me na violência doméstica e no assédio sexual dado serem dois graves problemas atuais da nossa sociedade.

Quer a violência doméstica, quer o assédio sexual são puníveis por lei!

A violência doméstica é um crime público, como tal, qualquer pessoa pode e DEVE denunciar um caso destes. Longe vão os tempos em que “entre homem e mulher não se mete a colher”.

Aqui conseguimos perceber bem a influência do poder matriarcal e a legitimidade que é dada ao homem para deter o poder na relação, podendo controlar a mulher conforme bem lhe apetecer.

Quanto ao assédio sexual, este (ainda) não é um crime público e, como tal, tem de ser a vítima a apresentar queixa.

Se for no local de trabalho, o Código do Trabalho penaliza-o. Se for fora do contexto laboral, enquadra-se no largo espectro dos Crimes contra a Liberdade e Autodeterminação Sexual, indo desde a coação ou importunação sexual à violação.

Aqui, encontram-se bem presentes os discursos de masculinidade que são utilizados para legitimar a prática do assédio.  A vítima é mulher e, como tal, deve obedecer aos papéis sociais que lhe foram “destinados” e quando não o faz, sofre represálias. 

Na maioria das vezes, a vítima “estava a pedi-las” (só que não!).

Em qualquer um destes crimes, as consequências para as vítimas são assombrosas!

Não é raro este tipo de violência ter o seu sério impacto psicológico causando entraves nas vidas das vítimas.

Entre alguns dos problemas do foro psicológico e emocional estão a perda de autoestima e autoconfiança, a depressão e ansiedade, o medo e o pânico e dificuldades de concentração ou em dormir, entre muitíssimos outros problemas!

É importante relembrar às vítimas que, em momento algum, se devem sentir culpadas! 

Os únicos culpados são o agressor e a sociedade. Sim, a sociedade também é culpada se nada fizer no sentido de romper com a perpetuação destas práticas e com a disseminação destas ideologias.

A violência de género é um problema social, jurídico e de saúde pública, pois tem um sério impacto no desenvolvimento e empoderamento das vítimas.

É uma das mais graves violações dos direitos humanos e, consequentemente, uma ofensa à sociedade democrática baseada em direitos e liberdades.

Para que possa fazer uma séria reflexão sobre este assunto deixo-lhe aqui um vídeo. Poderá até ser um pouco perturbador, dado o contexto, mas vale cada segundo da sua duração, pois, infelizmente, retrata na perfeição a realidade.

“Não há limite para aquilo que nós, como mulheres, conseguimos alcançar!”

– Michelle Obama

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