Somatização:
a mente dá sinais
Quando falámos sobre a importância da saúde mental, disse-lhe que aquilo que a mente não resolve, o corpo demonstra – somatização.
Dado ser um processo importante, achei por bem dar-lhe o seu devido destaque, sendo por isso o tema do artigo desta semana.
A somatização não é mais do que a representação física do desequilíbrio psíquico e biológico de uma pessoa.
É a expressão de problemas psicológicos ou emocionais em sintomas físicos como dores de cabeça, problemas gastrointestinais (azia, refluxo, …), ansiedade, batimentos cardíacos acelerados, entre muitos outros.
Antes de avançar, é necessário salientar que a somatização e a hipocondria são problemas diferentes.
Na hipocondria, não existe problema físico (orgânico), mas a pessoa crê piamente estar doente. Mesmo realizando múltiplos exames e consultando vários médicos, a pessoa não acredita não ter qualquer tipo de problema e continua incansavelmente à procura de uma causa para o seu problema.
Já na somatização, os sintomas físicos existem de facto, mesmo que não haja uma causa orgânica anormal.
Deste modo, a pior tentativa de ajuda é dizer à pessoa “tu não tens nada”.
Primeiro, a pessoa não acreditará e segundo, sentir algo fisicamente não é “não ter nada” aliás, significa ter algo sério mesmo que não seja fisicamente, mas sim psicologicamente.
Existe muito a ideia de que o corpo e a mente estão separados. No entanto, é um pouco como “o frio é psicológico”, tudo pode ter impacto no nosso psicológico, mas certamente o nosso psicológico tem influência em tudo! E, por isso, se não lidarmos com o nosso psicológico, ele trata de nos avisar de que algo precisa ser tratado.
Assim, quem somatiza percebe os sinais corporais, mas, frequentemente, não se apercebe do processo mental que lhe está subjacente.
A somatização é uma tentativa do nosso corpo lidar com o stresse emocional e psicológico, demonstrando que existe algo que claramente necessita ser resolvido, com urgência. Seja um trauma, o stresse diário ou simplesmente algo que não estejamos a conseguir lidar e resolver em termos psicológicos, poderá afetar a nossa saúde demonstrando-se em sintomas somáticos.
Por isso, mais importante que os sintomas em si é a maneira como estes afetam a vida da pessoa, como ela interpreta e reage a estes sintomas.
Deste modo, o tratamento deverá englobar uma parte orgânica e uma parte psicológica ajudando a aliviar sintomas e a resolver problemas por lidar.
O objetivo a médio-longo prazo será o desenvolvimento de estratégias adaptativas para lidar com a problemática subjacente ao verdadeiro problema que atormenta a mente da pessoa.
Como temos visto, qualquer pessoa em qualquer altura da sua vida pode sentir problemas de saúde mental.
O mesmo se aplica à somatização e também aqui o prognostico será melhor com uma intervenção precoce.
Não ignorar os sinais e sintomas, é cuidar da sua saúde!
