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/ Crianças e Adolescentes / By Ana Gonçalves

Impacto da comparação

em crianças e adolescentes

Certamente, lembra-se de ouvir em criança ou adolescente algo como “Mas o teu primo não faz isso. Só tu é que és assim”.

Existe sempre alguma comparação que nos foi feita na infância/adolescência e que nunca mais esquecemos.

Pois é, poucas coisas nos marcam tanto como as comparações e, mesmo que a intenção dos nossos pais ou cuidadores seja boa ou de incentivo, a comparação não é benéfica e pode realmente deixar marcas em nós.

Um dos grandes problemas com o uso da comparação é que afeta o desenvolvimento da autoestima e autoconhecimento, pois a criança/adolescente sente então a necessidade de ser como o outro e “esquecesse” de si como pessoa individual e única.

Todos queremos ser amados e acarinhados pelos nossos pais e cuidadores. Ao sermos comparados cria uma frustração em nós, pois sentimos que não somos aquilo que esperam de nós e, ao mesmo tempo, sentimo-nos impedidos de descobrir quem somos.

As crianças e adolescentes passam por fases de descoberta, transformação e construção, mas quase sempre têm como referência os adultos mais próximos e, por isso, as suas opiniões e expectativas afetam a criança/adolescente sobretudo na forma de uma comparação.

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E podem acontecer, por exemplo, os seguintes cenários:

  • A criança que é comparada desenvolve sentimentos de angústia, de inferioridade, sentindo-se inútil e incapaz de corresponder às expectativas que têm sobre si;
  • A criança que é valorizada fica presa a esse rótulo transportando consigo o fardo que isso acarreta – ser responsável, não cometer erros, ser perfeito…

Mesmo que os pais ou cuidadores façam estas comparações com a melhor das intenções, com o intuito de nos motivar, não sabem como é que a criança/adolescente está a interpretar aquela informação e, consequentemente, qual o seu impacto nela.

Para além disso, por norma fazemos comparações injusto (se é que há comparações justas) ao comparar, por exemplo, as notas da nossa criança/adolescente ao melhor aluno da turma e não a uma média entre turmas do mesmo ano.

Não pensamos que aquele melhor aluno também não é perfeito e que não sabe tudo sobre tudo.

Impacto da Comparação

Independentemente da sua intenção ou objetivo, a comparação não vai trazer benefícios.

A criança ou adolescente pode tornar-se insegura devido ao medo, mas também pode tornar-se agressiva para se defender.

Cria-se um sentimento de competitividade que pode muito bem causar pressão para que sejam perfeitos, acabando por gerar frustração, insegurança, stress e até ciúmes e inveja! Para não falar no desgaste que é causada na relação entre pais/cuidadores e criança/adolescente.

A autoestima da criança ou adolescente fica fortemente afetada. Poderá sentir-se inútil e tentar arranjar áreas nas quais se destaque para tentar sobressair e compensar a diferença.

No entanto, esta procura não acaba por ser totalmente benéfica, pois a criança/adolescente não o faz por querer, mas sim para tentar agradar aos outros.

Antes demais, pais e cuidadores devem compreender que cada criança e adolescente é uma pessoa individual, única e, por isso, com características próprias.

Isto significa que o seu tempo de desenvolvimento, método e ritmo de aprendizagem, comportamentos, preferências também lhe vão ser particulares.

Deste modo, de pouco adianta comparar diferentes crianças/adolescentes já que vão ter obviamente diferentes genéticas, personalidades, histórias de vida e experiências.

Em vez de comparar, tente:

  • Ser empático e colocar-se no lugar da criança/adolescente;
  • Valorize as capacidades e habilidades que a criança/adolescente tem;
  • Valorize os seus esforços e tentativas mesmo que não sejam bem-sucedidas;
  • Não crie expectativas. Estimule a criança/adolescentes a criar e seguir os seus próprios sonhos e objetivos;
  • Não estimule competições, mas sim aprimoramento das suas habilidades;
  • Lembre-se que errar é humano. Foque-se em explicar o porquê de não ser correto e dar alternativas.

Mais uma vez, acima de tudo, aquilo que qualquer criança/adolescente quer é ser amado e aceite pelos pais/cuidadores.

É importante que a criança/adolescente sinta que é reconhecida, aceite e amada como é e, que ter ou não ter determinada habilidade não define o quanto os pais/cuidadores gostam de si.

Aqui há uns dias durante uma pesquisa, li algures um comentário de um psicólogo que dizia que se começássemos a aceitar e respeitar as crianças e adolescentes como são, metade dos problemas que existem com eles ficariam resolvidos.

Se calhar vale a pena refletir sobre isto…

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