Problemas psicológicos
em crianças e adolescentes
Os pais têm um forte sentido de proteção dos filhos e de cuidar das suas necessidades.
Se está com febre, parte um braço ou tem uma gastroenterite, os pais ou cuidadores levam de imediato o filho ao médico. No entanto, quando este começa a demonstrar problemas na escola, quando anda constantemente irritado ou deixar de ter interesse nas atividades que mais gostava, pais e cuidadores ficam confusos e sem saber o que fazer.
Os sinais e sintomas físicos são fáceis de reconhecer. Já os sinais e sintomas psicológicos são mais difíceis, não de reconhecer, mas sim de distinguir se estamos na presença de algo normativo para a faixa etária ou na presença de algo mais grave.
Assim sendo, convido-o a ler o nosso artigo sobre os sinais e sintomas de problemas psicológicos em crianças e adolescentes. É importante saber reconhecer e estar atento!
Crianças e adolescentes podem desenvolver as mesmas condições de saúde mental que os adultos, ainda que a forma como expressam a sintomatologia seja diferente.
Por exemplo, em crianças com depressão é frequente a presença de irritabilidade em vez da tristeza que os adultos tipicamente demonstram.
Assim, neste artigo abordaremos 3 tópicos para elucidar pais e cuidadores aquando da presença de problemas psicológicos na sua criança ou adolescente e que são o Diagnóstico, o Tratamento e Como Lidar.
Diagnóstico
Realizar o diagnóstico em crianças e adolescentes nem sempre é uma tarefa fácil sobretudo em crianças mais pequenas que têm dificuldade em expressar-se ou em adolescentes que não queiram ser ajudados. Para além disso, o desenvolvimento normativo varia de caso para caso.
No entanto, o diagnóstico não é uma tarefa impossível! Aliás, é uma tarefa essencial para alinhar e orientar o processo terapêutico.
O diagnóstico é assim realizado com base na sintomatologia apresentada (dai ser importante saber reconhecê-la) e como esta afeta a vida quotidiana da criança ou adolescente.
Para isso, o psicológico poderá recorrer a instrumentos de avaliação adequados à problemática que quer avaliar e ao público-alvo, neste caso, crianças ou adolescentes.
Tratamento
A psicoterapia inicia-se assim após a realização do diagnóstico. Já conhecemos as problemáticas a alterar e traçámos os objetivos a cumprir.
Os objetivos gerais passam pela identificação dos conflitos e pela busca de alternativas ajustadas para gerir e lidar com os mesmos. Pretende-se que a criança ou adolescente seja capaz de expressar as suas emoções e ressignificar eventos traumáticos.
As primeiras sessões são realizadas com os pais ou cuidadores e servirá para reunir informação sobre a história de vida da criança ou adolescente, conhecer a dinâmica na qual está inserida e qual o motivo da procura de ajuda. Assim, o psicólogo terá um maior insight acerca da problemática e dos objetivos de trabalho.
As restantes sessões são com a criança ou adolescente. O atendimento reunirá um conjunto de características que melhor se adaptam à criança ou adolescente e aos problemas que precisa de resolver.
No caso das crianças mais pequenas, o psicólogo adaptar-se-á ao seu mundo simbólico recorrendo à ludoterapia e histórias.
Acima de tudo, o psicólogo desenvolverá estratégias adequadas à pessoa, privilegiando a construção de uma boa relação terapêutica.
Como lidar
Antes de saberem e compreenderem ao certo aquilo que se passa, é normal pais e filhos experienciarem sentimentos de impotência e frustração.
Se está preocupado com a saúde mental do seu filho, o primeiro passo é consultar um psicólogo.
O acompanhamento psicológico na infância ou adolescência irá promover o equilíbrio emocional do jovem e, consequentemente, o seu bem-estar através da compreensão das emoções e aprendizagem de estratégias adaptativas para lidar com as dificuldades do dia-a-dia.
Não obstante, os benefícios de procurar ajuda profissional também estão voltados para os pais e cuidadores. Existem vários serviços de psicologia aos quais pais e cuidadores podem recorrer para se capacitar de modo a prestar um auxílio mais informado e especializado à criança ou adolescente.
Com o aconselhamento parental, pais e cuidadores descobrirão que não são perfeitos, nem têm de ser, e que as crianças e adolescentes não vêm com um manual de instruções. Aqui, desenvolverão o seu potencial para uma melhor e mais adequada gestão das transformações e transições desta fase inicial da vida.
Por outro lado, com o apoio psicoeducativo, pais e cuidadores poderão beneficiar da partilha de experiências de parentalidade semelhantes. As sessões funcionarão como suporte emocional para expressar e normalizar as emoções associadas à problemática, mas também obterão suporte informativo sobre a temática.
É importante que não só a criança ou adolescente entenda aquilo que se passa, aquilo que sente, mas também pais e cuidadores devem entender a problemática e os sentimentos da criança ou adolescente.
Pais e cuidadores devem elogiar a criança ou adolescente. Elogiar a sua força e as suas capacidades e procurarem juntos novas técnicas de gestão e de relaxamento
Os filhos precisam de pais que falem a sua linguagem, que os ouçam, compreendam e apoiem nos momentos de aperto.
Acima de tudo, os filhos precisam de pais que lhes transmitam princípios, valores e ideais que os orientem na sua vida.
Ninguém nasce ensinado e, como tal, pais, cuidadores, crianças e adolescentes não devem ter medo ou vergonha de pedir ajuda.
Em momento algum serão julgados!
Quanto mais compreenderem a problemática e participarem ativamente no processo terapêutico, maiores serão as conquistas.
“A conexão de pais e filhos não pode ser estimulada somente através do estar juntos,
mas sim do fazer juntos.”
– Júlia Dutra
