Relações Tóxicas
Sinais, Impacto e como lidar
Depois de falarmos sobre pessoas tóxicas no artigo da semana passada, achei por bem falarmos hoje sobre relações tóxicas. Quando estamos numa relação, as coisas podem ser mais complicadas…
A partir do momento em que existe amor e carinho, podemos ficar “cegos” e, mesmo sabendo o que são pessoas ou comportamentos tóxicos, podemos ter dificuldades a identificá-los nas nossas relações.
Por isso, neste artigo faço uma breve distinção entre relações tóxicas e abusivas e abordo também os sinais e impacto dos relacionamentos tóxicos, deixando-lhe por fim algumas dicas para lidar com uma relação destas.
relações tóxicas vs abusivas
Não existe propriamente um consenso sobre este tópico, mas eu partilho da opinião que relações tóxicas e relações abusivas são diferentes, ainda que se possam cruzar.
As relações tóxicas são mais “subtis” (entre muitas aspas), existindo violência psicológica, verbal, social… ao passo que as relações abusivas são abertamente violentas incluindo episódios de violência física.
As relações tóxicas podem existir nos mais variados contextos desde relações amorosas, a relações de amizade, entre familiares ou colegas de trabalho. As relações abusivas, de modo muito geral, tendem a ocorrer mais em relações amorosas como é exemplo a violência doméstica ou no namoro.
De forma muito simplista, as relações tóxicas tratam-se de menosprezar o outro para nos sentirmos melhor, já as relações abusivas assentam numa relação de poder onde há intenção de agredir por forma a controlar o outro.
Assim, as relações abusivas são também relações tóxicas, mas as relações tóxicas não são necessariamente abusivas, apesar de se puderem transformar rapidamente.
relações tóxicas
Como já vimos anteriormente, “tóxico” é algo prejudicial e um relacionamento tóxico é cheio de toxicidade! Vive-se num clima de tensão pautado por críticas constantes, desprezo, agressividade, controlo, problemas de comunicação, ironia, troça a manipulação e ciúmes, podemos encontrar um bocadinho destes (e muitos outros) comportamentos tóxicos.
Nestas relações, são mais os aspetos negativos do que os positivos e a insegurança e o desrespeito invadem-nos.
As próximas seções serão inevitavelmente mais voltadas para as relações amorosas, mas acho necessário abordarmos um pouco outros contextos de relações tóxicas.
- Relações Tóxicas Familiares: Não me quero arriscar a dizer que serão as mais difíceis, mas a realidade é que comportamentos tóxicos como atitudes de inveja, vitimização, críticas e comparações e agressividade ocorrem frequentemente neste contexto. Como ocorrem, maioritariamente, sem intenção torna-se mais complicado de distinguir o aceitável do inaceitável.
- Relações Tóxicas de Amizade: Até podemos escolher os nossos amigos, mas a realidade é que nem todos vão querer o nosso bem-estar e sucesso. Por isso, atitudes de inveja, ciúmes, desprezo, narcisismo, críticas e comparações serão uma constante.
- Relações Tóxicas no Trabalho: Se as amizades já não são fáceis, o que fará as relações de trabalho rodeadas de competitividade e pressão para um bom desempenho laboral. Aqui a toxicidade ocorrerá com o intuito de afetar a nossa autoestima e autoconfiança minando o nosso ambiente de trabalho.
- Relações Tóxicas Connosco Próprios: Muitas vezes, nós somos tóxicos para nós mesmos e criamos aqui uma relação prejudicial através das dúvidas que temos sobre as nossas competências e capacidades, não valorizamos os nossos esforços e conquistas, não cuidamos de nós mesmos!
Sinais
Existem alguns sinais que nos podem indicar que estamos perante um relacionamento tóxico como, por exemplo, falta de comunicação (acumulando frustrações por partilhar); críticas constantes e desmedidas; ambiente pesado e tenso; baixa autoestima; sensação de agitação, angústia e ansiedade (necessidade de ir embora para soltar a tensão); não conseguir ser genuíno (necessidade de assumir uma personalidade diferente do verdadeiro “eu”); discussões e conflitos constantes; ciúmes; falta de apoio ou suporte; culpabilização (você é culpado de tudo) ou vitimização (a pessoa faz-se de vítima); entre outros.
Esteja atento às suas emoções, bem como ao estado de energia e de paciência na relação, mas acima de tudo, questione a sua felicidade.
impacto
O impacto destes relacionamentos ocorre sobretudo ao nível da autoestima.
As críticas e comparações constantes acontecem sempre com o intuito de deitar por terra a pessoa e, devido à frequência e intensidade, a pessoa pode começar a questionar-se ou até mesmo começar a acreditar que não tem capacidades para isto ou aquilo, ou que não é bom o suficiente, entre outros…
Depois, a sensação de frustração, cansaço, angústia, agitação, ansiedade e insegurança estão patentes no relacionamento levando, muitas vezes, ao aparecimento de queixas somáticas como dores de cabeça, fadiga ou problemas gastrointestinais.
Para além disso, a pessoa pode desenvolver problemas de confiança e ter dificuldades em iniciar novos relacionamentos.
como lidar
Primeiramente, é necessário reconhecer e aceitar que estamos perante uma relacionamento tóxico e que permanecer só contribuirá para a degradação da nossa saúde e bem-estar.
Em seguida, temos de analisar aquilo que perdemos com este relacionamento e perceber se ainda existe alguma rede de suporte que nos possa apoiar (amigos, familiares…).
É também importante investir em nós, na nossa autodescoberta e autoconhecimento para que possamos avaliar em que condições estamos e o que podemos fazer.
É necessário perceber seriamente se é passível de tornar a relação num relacionamento saudável ou se a única alternativa é mesmo o afastamento. Para dar a volta à situação, ambos os membros do casal necessitam de estar dispostos a mudar, a investir e reinventar a relação.
Se se revê num relacionamento tóxico, dou-lhe o seguinte conselho: aposte no amor próprio!
Ouça as suas emoções e o seu instinto, o corpo dá sinais! Fale sobre aquilo que está a acontecer seja com um familiar, um amigo ou um profissional de saúde, mas rompa com o isolamento e não normalize a situação. Muitas vezes, temos de ir tomando pequenas decisões e começar a mudar a nossa visão sobre o que é o amor e as relações.
As relações são complexas, mas isso não significa que tenha de existir sofrimento!
Questione-se: Existem mais momentos bons ou maus? Eu estou realmente feliz aqui?
Não se esqueça que amar também é respeitar! E que o primeiro passo para a mudança é reconhecer.
Não sendo fácil, podemos sempre contar com a ajuda de um profissional.
