Idosos:
Sinais e sintomas
de problemas psicológicos
Na velhice ainda existem objetivos a ser alcançados e desafios a ser superados.
Cada vez mais a psicologia promove o bem-estar do idoso, auxiliando nas transições associadas ao normal processo de envelhecimento.
Esta fase pode ser produtiva e proporcionar ganhos permitindo que a pessoa desfrute da sua vida e do seu tempo de forma saudável e com qualidade.
No entanto, as alterações comuns a este período de vida como, por exemplo, mudanças físicas, aposentadoria, dependência de terceiros e perdas cognitivas e de papéis sociais, podem desencadear crises levando a que a pessoa idosa desenvolva algum tipo de perturbação psicológica.
Nem sempre é fácil perceber esta diferença entre as alterações normais do processo de envelhecimento e sinais e sintomas que podem revelar o início de algum quadro patológico.
Quando estas alterações começam a interferir com a vida diária da pessoa é então aconselhável procurar ajuda profissional.
No caso dos idosos, existem sinais e sintomas de problemas psicológicos aos quais devemos estar atentos. Estes sinais e sintomas são aqueles associados aos adultos, sobre os quais já falamos aqui, e outros mais específicos desta fase e que estão mais associados às perdas cognitivas, nomeadamente, a quadros de demência.
A demência é uma doença mental que se caracteriza por um declínio progressivo do funcionamento da pessoa sobretudo das funções cognitivas.
Existem vários tipos de demência dependendo do local da lesão cerebral, mas as funções que são mais comumente afetadas dizem respeito à memória, capacidade intelectual e de raciocínio, automatização de movimentos, competências sociais e alterações emocionais e de personalidade.
A doença de Alzheimer é o tipo de demência mais comum. É mais frequente em mulheres e caracteriza-se pela perda de memória, problemas na fala e na compreensão, dificuldades de locomoção e alterações da personalidade podendo a pessoa idosa tornar-se confusa, desconfiada e agressiva. Eventualmente, as pessoas acabando por necessitar de cuidados e supervisão constante.
Deixo-lhe assim uma lista de sinais e sintomas mais específicos desta fase da vida e mais focados em quadros de demência. Mas dou-lhe já um conselho:
questione sempre “Isto é uma coisa nova?”.
Por exemplo, se a pessoa nunca foi muito boa a utilizar um telemóvel, não há motivo para alarme se estiver com dificuldades em ver uma mensagem. No entanto, se nunca apresentou estas dificuldades anteriormente e se esta capacidade se alterou bastante, então deve procurar ajuda de um profissional.
1. Perda de memória
Esquecer informação recente; repetir várias vezes a mesma coisa; usar auxiliares de memória sejam lembretes ou o auxílio de um membro da família para se lembrar de coisas que habitualmente se lembraria sozinho.
2. Problemas na linguagem
Dificuldade de compreensão, de acompanhar uma conversa; parar a meio de uma conversa sem saber como continuar (pode se ter esquecido do que dizer a seguir); repetir várias vezes a mesma coisa; dificuldade em encontrar palavras para se expressar ou nomear erradamente.
3. Diminuição da capacidade de discernimento
Alterações na capacidade de julgamento ou tomada de decisão – diminuição da capacidade. Por exemplo: não perceber quando estão a ser enganadas, vestir uma peça de roupa ao contrário como se fosse normal, não notar que está a adoecer, não perceber uma infeção.
4. Alterações de humor e personalidade
Tornar-se confusos, desconfiados, deprimidos, ansiosos; irritação e agitação; tornar-se agressivos; surtos de raiva.
5. Dificuldade na realização de tarefas diárias
Dificuldade em conduzir até ao local onde habitualmente faz compras; incapacidade de preparar ou iniciar a preparação de uma refeição; perder progressivamente a capacidade de se cuidar autonomamente – dar banho, vestir, alimentar; dificuldade geral em executar as tarefas comuns do dia-a-dia da pessoa.
6. Dificuldade de planeamento e resolução de problemas
Perda da capacidade de criar ou seguir um plano de ação como, por exemplo, uma receita ou a gestão das contas mensais; perda da capacidade de seguir indicações; dificuldade de concentração e demorar mais tempo do que habitual nas tarefas usuais.
7. Perda da noção temporal e espacial
Perder a noção de datas, de estações do ano e da passagem das horas; desorientação; não saber onde estão, como chegaram ou para onde vão.
8. Dificuldade de percepção visual
Dificuldade em ler, em calcular distâncias ou determinar uma cor; passar por um espelho e não se reconhecer.
9. trocar os objetos de lugar
Colocar os objetos em lugares desadequados ou trocá-los de lugar; perder objetos e não conseguir fazer o processo mental reverso para recordar onde os colocou.
10. isolamento social
Abandonar os projetos de trabalho ou atividades sociais de que tanto gostava; dificuldade em realizar os seus hobbies ou esquecer-se de os terminar.
Com o envelhecimento surgem assim uma série de alterações físicas, psicológicas e sociais. É importante saber lidar com estas alterações pois a forma, positiva ou negativa, como que as encaramos tem impacto direto no bem-estar e qualidade de vida.
Não obstante, nem sempre é fácil aceitar e lidar com estas transformações sozinho e nem sempre podemos tomar estas transformações como normais.
Como vemos, existem sinais e sintomas aos quais devemos estar atentos.
Assim, o psicólogo está preparado e pronto a encaminhar a pessoa idosa e cuidadores nesta nova fase de adaptação e de descoberta.
O psicólogo irá ajudar a pessoa a enfrentar adaptativamente os desafios do processo de envelhecimento, orientando também os cuidadores e familiares através do serviço de apoio psicoeducativo.
“O envelhecimento não é uma “juventude perdida”, mas uma nova etapa de oportunidade e força.”
– Betty Friedan
